quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Le Tour de France 2019 : o percurso foi revelado.



 
 
Foi hoje apresentada a edição 106 do Tour de France 2019 que irá decorrer entre o dia 6 e 28 de julho.  Comemoração dos 100 anos da “camisola amarela” símbolo intemporal com a respetiva homenagem ao maior ciclista de todos os tempos que tão bem a representou:  Eddy Merckx. A edição de 2019 servirá também para celebrar os 50 anos da primeira das cinco camisolas amarelas conquistadas pelo "Canibal "

A Grand Depart será por isso na capital da Europa: Bruxelas A cidade belga recebe mesmo as duas primeiras etapas: etapa inaugural de 190km e no segundo dia um contrarrelógio por equipas na extensão de 28km.

Le Grand Place em Bruxelas : palco da Grand Depart do Tour 2019
 

Primeira chegada em alto ao sexto dia de competição em La Planche de Belles Filles com um final inédito numa rampa com cerca de 24% de inclinação.  Fabio Aru ganhou em 2017 no mesmo local mas numa altitude um pouco inferior.
Rampa final em La Planche de Belles Files: 24% de inclinação.
 

Em 2019 os Pirinéus aparecem antes dos Alpes. São 4 etapa pirenaicas que incluem um CRI de 27km em redor de Pau e um final no mítico Col du Tourmalet onde ganhou Andy Shcleck em 2010.

As chegadas aos Alpes trazem etapas de altíssima dificuldade. A etapa 18 tem passagem pelo Col de Vars, Col du Izoard e o Col du Galibier. São 3 montanhas que ultrapassam os 2000m de altitude. A chegada é em descida e a meta instalada em Valloire. Mas o “souvenir Henri Desgrange “está reservado para o Col d’ Iseran e os seus 2764m acima do nível do mair O Col d´Iseran é a estrada pavimentada mais alta dos Alpes.
Col d Iseran : 2764 metros de altitudes
A última etapa será o tradicional passeio de consagração nos bonitos Champs Elysées na cidade luz de Paris.







Resumo:
 


1ªetapa: Bruxelas - Bruxelas, 192 km
2ªetapa: Bruxelas - Bruxelas, CRE, 28.0 km
3ªetapa: Binche - Épernay, acidentado
4ªetapa: Reims - Nancy, acidentado
5ªetapa: Saint-Dié-des-Vosges - Colmar, acidentado
6ªetapa: Mulhouse - La Planche des Belles Filles, média montanha

7ªetapa: Belfort - Chalot-sur-Saône, plano
8ªetapa: Mâcon - Saint-Étienne, acidentado
9ªetapa: Saint-Étienne - Brioude, média montanha
10ªetapa: Saint-Flour - Albi, média montanha

1ºdia de descanso

11ªetapa: Albi - Toulouse, plano
12ªetapa: Toulouse - Bagnères-de-Bigorre, montanha
13ªetapa: Pau - Pau, CRI
14ªetapa: Tarbes - Col du Tourmalet, montanha, chegada em alto
15ªetapa: Limoux - Foix/Prat d'Albis, montanha, chegada em alto

2ºdia de descanso

16ªetapa: Nîmes - Nîmes, plano
17ªetapa: Pont du Gard - Gap, média montanha
18ªetapa: Embrun - Valloire, montanha
19ªetapa: Saint-Jean-de-Maurienne - Tignes, montanha, chegada em alto
20ªetapa: Albertville - Val Thorens, montanha, chegada em alto
21ªetapa: Rambouillet - Paris Champs Elysées, plano
 
#TDF2019
#TDF
#TourdeFrance
#LeTour

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Quem é este Remco Evenepoel ?


Evenepoel : campeão do mundo em Innsbruck 2018
 
Remco Evenepoel é o nome do momento. O que fez ontem em Innsbruck na prova de fundo de juniores, campeonato do mundo, colocou meio mundo ciclístico a falar do jovem belga de apenas 18 anos. Vamos ser sinceros: até ao dia de ontem a maioria dos adeptos ainda não o conheciam.

Remco é filho de Patrick Evenepoel, ciclista modesto dos anos 90 que tem como principal amostra no currículo uma vitória no Grand Prix de Wallonie, mas as primeiras e mais sérias andanças no desporto foi no futebol. Remco foi internacional belga nas camadas jovens e andou pela formação do Anderletch e também dos holandeses do PSV. Quem o viu jogar acredita que o rapaz tinha futuro com a bola, mas Evenepoel “Jr” talvez quisesse preencher as lacunas no palmarés do seu pai. Deixa os chutos e dedica-se às pedaladas.
Evenepoel começou no futebol mas está a ser fenómeno do ciclismo
 
Em 2017 estreia-se no ciclismo de competição e alcança as primeiras vitorias. Em 2018 “explode “ e ganha praticamente tudo. E quando dizemos tudo é literalmente TUDO. Foi campeão nacional belga na vertente fundo e contrarrelógio. Campeão europeu também nas 2 vertentes. Na prova em linha o segundo classificado chegou com 10 minutos de atraso. E agora em Innsbruck repete a proeza e ganha o contrarrelógio ( 1m25s de vantagem para o 2º classificado) e dá show na prova rainha da sua categoria.  Ontem Evenepoel caíu, ficou a 2 minutos da frente da corrida, recolou ao pelotão com tranquilidade e depois fez o que quis dos adversários. A diferença de performances entre Remco e os restantes foi brutal de tal forma que o belga cruza a meta a pé com uma vantagem de quase 1m30s.

A formação da Quick-Step Floors chegou-se à frente com o cheque e Evenepoel irá para a equipa de Patrick Lefevere. O miúdo tem ambição. Ainda ontem, depois de se sagrar campeão do mundo e com um sorriso no rosto abriu o jogo e disse ao que vem:

“eu tenho o desejo de ganhar as 3 grandes voltas”

O novo Merckx? Não, até porque o seu apelido é Evenepoel! E não também porque estamos a falar de um jovem que apenas este ano atingiu a idade adulta e o mundo das elites é bem diferente do mundo dos jovens.

Mas a partir de agora aprendam a dizer este nome: Remco Evenepoel.

#evenepoel

#innsbruckTirol2018

Boas pedaladas

AT

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Imagens com estória nº 2 : O sprint de Montjuic


Mundiais 1973: vitória de Felice Gimondi
Em plena Vuelta a España, recuamos 45 anos e aterramos na deslumbrante Barcelona de 1973. O motivo? Os mundiais de ciclismo.

Nunca um final da prova de fundo masculina foi tão falado e discutido como aquele que aconteceu no final da tarde de 2 de setembro de 1973. O sprint, depois da subida ao castelo de Montjuic teve 4 protagonistas: os belgas Eddy Merckx (vencedor do Giro e Vuelta desse ano) e o irreverente Freddy Maertens , o italiano Felice Gimondi e a estrela espanhola Luís Ocaña que tinha acabado de dar a Espanha o sei segundo triunfo no Tour de France.

Os mundiais de 73 começaram mesmo antes do tiro de partida.  Da Bélgica vinham duas figuras. O jovem de 21 anos Freddy Maertens e Eddy Merckx . Em 1973 o “Canibal” já tinha ganho tudo o que havia para ganhar: as 3 grandes voltas, os 5 monumentos e os mundiais de ciclismo.  Mas Maertens ainda não tinha vitórias no seu currículo. Nesse ano, a sua primeira temporada como profissional, alcançou um prestigiante segundo lugar no Tour de Flanders e um quinto posto no “Inferno do Norte”: Paris – Roubaix. A sua irreverência e ousadia valeram-lhe desde cedo uma boa base de fãs. O seu potencial era muito e depressa chegou à melhor equipa de ciclismo do mundo: a Flandria. Para todos, incluindo para a equipa belga, o jovem Freddy seria o fiel escudeiro de Merckx na busca pelo seu terceiro título mundial. Maertens não concordou e depressa fez saber que não iria a Barcelona para correr para Eddy.

O clima na seleção da Bélgica era de cortar à faca e pior ficou quando a 100km da meta , Eddy Merckx acelera na frente da corrida ficando isolado. O seu plano era chegar sozinho à linha de meta instalada em Montjuic. Maertens apenas teria que controlar os adversários, mas ao contrário do esperado foi ele próprio que persegue o seu líder e o grupo da frente rola compacto outra vez. A 30km do fim e na penúltima ascensão a Montjuic o “Canibal” insiste novamente e elimina todos os seus adversários. No momento ninguém responde, mas passados alguns metros é de novo Maertens a ter as despesas da perseguição. A comitiva belga estava incrédula. Arrastados pelo jovem belga, Felice Gimondi e Luis Ocaña alcançam Merckx e os últimos quilómetros são percorridos por um quarteto de luxo.

Merckx e Maertens tinham obrigatoriamente de se entenderem. Em maioria no grupo, o título de campeão do mundo não poderia fugir às cores belgas. O acordo entre os dois era o seguinte: Maertens iria acelerar nos km´s finais lançando Merckx para a vitória. A recompensa seria um chorudo cheque de francos suíços. Freddy acelerou e tudo corria como previsto, mas a 500m da meta o jovem corredor da Flandria força ainda mais e quando olha para trás apercebe-se que Merckx não consegue seguir na roda. Tarde demais, a meta estava a escassos 30m e era preciso sprintar. Gimondi apercebe-se do sucedido, aproveita o desentendimento entre os belgas  e lança-se nos metros finais conseguindo assim o seu primeiro e único título de campeão do mundo de estrada.

O escândalo e a controversa reinavam na seleção belga. Gritos e discussões junto dos carros de apoio e mais tarde no hotel. Maertens acusa os adeptos de Merckx de lhe lançarem água gelada e outros objetos durante a prova. Ambos acusaram um e outro de traição.  À custa do sprint do mundial de 1973 os 2 estiveram 34 anos sem se falar.  

Em 2007 , durante o Tour de France, os 2 ex – clclistas belgas tem um encontro inesperado. Maertens está a fumar e Merckx pede-lhe um cigarro e conversa.

“ Freddy temos de falar sobre Montjuic”

“ Ok Eddy, concordo”

Estiveram horas a falar e no final da noite apertaram as mãos como 2 grandes campeões .

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Freddy Maertens fui um dos melhores sprinters de todos os tempos. O belga alcançou 221 vitórias enquanto profissional com destaque para os dois títulos mundiais : 76 e 81, as 15 etapas no Tour de France, as 7 no Giro de Itália e as 13 na Vuelta a Espanha numa única edição. É um recorde que se mantém até aos dias de hoje e que lhe valeu a vitória na geral individual da prova espanhola de 1977. É o único sprinter a vencer uma grande volta.

O currículo de Maertens tem uma falha: nunca ganhou um dos 5 Monumentos do ciclismo mundial. No museu da Ronde Van Vlaanderen em Oudennarde a placa do vencedor da edição de 1977 tem o nome de Roger de Vlaeminck . Por cima aparece outra mais pequena: “ Vencedor Moral : Freddy Maertens” . Mas essa estória fica para outra ocasião.

Boas pedaladas,
AT