sexta-feira, 27 de julho de 2018

Etapa 19 - Lourdes › Laruns



 
Último dia de montanha e última oportunidade para, numa etapa em linha, mudar alguma coisa na geral individual.

A etapa tinha 200km e passava pelo Col du Tourmalet. Se alguém quisesse “testar “a sério a capacidade de Geraint Thomas (Team Sky) teria que ser obrigatoriamente neste colosso. E quando dizemos alguém, só dois nomes: Tom Dumoulin (Team Sunweb) e Primoz Roglic (Team Lotto-Jumbo) pela proximidade de tempo ao britânico. Christopher Froome, depois do tempo perdido na etapa 17 e das debilidades demonstradas estaria, aparentemente, mas interessado em defender o seu 3ª lugar do que atacar a liderança do seu colega de equipa. Froome perde a primeira oportunidade de ganhar o seu 5º Tour de France, mas não perde neste Tour o estatuto do ciclista mais próximo e provável de alcançar esse feito. Com 33 anos, o tetracampeão da Grande Boucle terá mais 2 ou 3 “xeque-mates” para alcançar Anquectil, Merckx, Hinault e Indurain. É certo que a vida de Froome por terras francesas nunca mais será a mesma por causa da sua asma, mas a incerteza na participação do britânico no Tour de France pode ter sido uma das principais causas das dificuldades demonstradas durante esta terceira semana. É que Froome ganha um Giro de Itália extremamente exigente podendo estar agora a pagar as consequências. E essas são agora, naturalmente, consequências físicas, porque as consequências mentais têm Froome e a Team Sky desde o momento que o britânico recebeu a notícia de um consumo excessivo de salbutamol.

Mas atacar no Col du Tourmalet , essa montanha mítica que foi ultrapassada pela 80ª vez e onde em 1957 por lá passou em primeiro lugar Ribeiro da Silva, tinha um grande senão. O Tourmalet estava a 100km da meta em Laruns e as epopeias vitoriosas de Coppi ou Bartali já não acontecem há muitos anos! Sim, calma, estamos só a falar do Tour de France. Não temos memória de peixe e não nos esquecemos do que se passou no mês de maio no colle delle Finestre. Não atacou Dumoulin, não atacou Roglic. Atacou a sério pela primeira vez dois homens: Mikel Landa ( Movistar Team ) e Romain Bardet ( Ag2R La Mondiale) . Ambos estavam sensivelmente a 5minutos da liderança de Geraint Thomas. A distância temporal cresceu e o basco da equipa espanhola chegou a estar na 2ª posição virtual a 60 segundas da liderança. Nunca a amarela de Geraint esteve “tão perto “de mudar de corpo. Só que a Team Lotto-Jumbo tornou-se a principal aliada da Team Sky e Robert Gesink fez um trabalho notável a encurtar as distâncias. Quando a etapa entrou na fase final com os últimos km da subida ao Col de Aubisque todos estavam juntos. Foi aí que Dumoulin e Roglic atacaram sem grande sucesso. Froome cedeu, mas tal como no Col de Portet foi Egan Bernal a rebocá-lo montanha acima. Bernal tem sido um gregário de luxo. Chega a ser “penoso” ver o jovem colombiano abdicar dos êxitos pessoais em detrimento do “seu “líder, porque para Bernal, Froome é o líder.

Habituado a grandes saltos, Primoz Roglic foi pulando aos poucos nos 20km da descida ao Aubisque e quando chegou a Laruns já levava 20s de vantagem para os adversários. O esloveno ganha a sua segunda etapa no Tour de France. Depois de vencer o ano passado também a descer em Serre Chevalier, etapa que percorreu o Col de la Croix de Fer, Col de Telegraphe e o Col du Galibier, vence outra vez numa jornada que ultrapassou lugares míticos, mas desta vez nos Pirenéus como é o caso do Col du Tourmalet e o Col de Aubisque.
Habituado a saltar , Roglic "saltou" para o 3º lugar
 
Á vantagem de 19s na meta acresce os 10s de bonificação e Roglic termina o dia como duplo vencedor. Além da vitória na etapa o ciclista da Team Lotto-Jumbo troca de posição com Chris Froome. Está no 3º lugar da geral individual a somente 19s do holandês Tom Dumoulin. O segundo posto deverá ser a grande luta no CRI de amanhã uma vez que Geraint Thomas alargou por 6s a sua vantagem para o homem da Team Sunweb.

O galês já tem uma roda e meia nos Campos Elísios e no domingo deverá desfilar de amarelo.
Geraint Thomas cada vez mais 1º
 

Etapa 19 – Top 10

1. Primoz Roglic (Slo) LottoNL-Jumbo, in 05:28:17
2. Geraint Thomas (GBr) Team Sky, at 19 secs
3. Romain Bardet (Fra) Ag2r La Mondiale
4. Daniel Martin (Irl) UAE Team Emirates
5. Rafal Majka (Pol) Bora-Hansgrohe
6. Tom Dumoulin (Ned) Team Sunweb
7. Mikel Landa (Esp) Movistar
8. Chris Froome (GBr) Team Sky, all at 19 secs
9. Steven Kruijswijk (Ned) LottoNL-Jumbo, at 31 secs
10. Ilnur Zakarin (Rus) Katusha-Alpecin, at same time

Geral Individual

1. Geraint Thomas (GBr) Team Sky, in 79h49m31s
2. Tom Dumoulin (Ned) Team Sunweb, at 2-05
3. Primoz Roglic (Slo) LottoNL-Jumbo, at 2-24
4. Chris Froome (GBr) Team Sky, at 2-37
5. Steven Kruijswijk (Ned) LottoNL-Jumbo, at 4-37
6. Mikel Landa (Esp) Movistar, at 4-40
7. Romain Bardet (Fra) Ag2r La Mondiale, at 5-515
8. Daniel Martin (Irl) UAE Team Emirates, at 6-39
9. Nairo Quintana (Col) Movistar Team, at 10-26
10. Ilnur Zakarin (Rus) Katusha-Alpecin, at 11-49

 
#TDF2018 #TDF18 #TDF

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Etapa 17 - Bagnères-de-Luchon › Saint-Lary-Soulan




Nairo Quintana vence a etapa 17
 
A etapa 17 deste Tour de France apareceu como a grande novidade da corrida. É certo que para isso muito contribuiu o mediatismo que a organização aplicou nos meios de comunicação social. A primeira grande novidade parecia ser a quilometragem. Há muito tempo que o Tour de France não tinha uma etapa de apenas 65km. Depois, a outra novidade foi o Col de Portet. Nunca uma competição de ciclismo de estrada tinha chegada aos seus 2200m de altitude. O Col de Portet é a continuação da subida à estação de ski de Pla d´Adet e nunca tinha sido feita porque os seus últimos 8km não eram asfaltados. A dúvida permaneceu quase até ao início da competição. Apenas no dia 8 de julho já com o Tour a decorrer ficamos com a certeza que o piso era de alcatrão e assim o Col de Portet não seria o Colle delle Finestre francês. Por fim a novidade da partida! Uma partida inovadora, segunda a ASO! E com razão os líderes das equipas pedalaram 50 metros sem os seus gregários por perto! (risos) Uma novidade, é certo! Mas também uma grande parvoíce.  Esta ideia de fazer de uma partida de ciclismo uma grelha de Moto GP ou Formula 1 ultrapassa os mínimos! É só patético. Se há coisas certas na vida, como por exemplo, o Wout Poels beber coca-cola e recuperar do atraso para ainda liderar o grupo dos favoritos por largos km, como se viu hoje na ascensão ao Col de Portet , também é certo que nunca mais vamos assistir a esta patetice da grelha. Se aquele sprint bonificado apenas para a geral na primeira semana de competição já tinha sido mau, esta de separar os primeiros classificados dos restantes ultrapassou tudo. Vá, também não podemos ser tão maus. Houve 3 crianças que acreditaram que Thomas e Froome não iam ter o apoio de Bernal, Kwia e Poels. Essas 3 crianças fizeram bem em acreditar, porque além destes 3 gregários de luxo, Poels teve o episódio do “descola…bebe coca-cola e cola para liderar o grupo “, Bernal deu show na subida final e fez de Froome versão 2012 a esperar por Wiggins , os dois lideres da Team Sky também tiveram o apoio da restante equipa: Castroviejo e Rowe. Ou seja, tudo normal! A partida não deu em rigorosamente nada! Como era obvio e todos sabiam disso!
Um prova de ciclismo com uma grelha de partida! Bravo ASO
 

Mas falemos do dia de competição. Não foi a melhor etapa desta edição do Tour. Esse lugar está reservado até agora à jornada que acabou em Alpe d’ Huez. Mas foi uma boa etapa. Apesar dos ataques mais importantes, sobretudo Nairo Quintana ( Movistar Team), Daniel Martin ( UAE Team Emirates) e dos homens da Team Lotto-Jumbo, Kruijswijk e Roglic terem acontecido apenas na montanha final, toda a etapa foi animada. Logo no inicio um grupo de escapados bastante numeroso com Valverde ( Movistar Team ) que ainda deu uma ajuda a Nairo Quintana ( até que enfim que lançar Valverde para a frente da corrida trouxe alguns benefícios à equipa de Unzué), Tanel Kangert ( Astana Team ) que liderou a corrida durante 59km sendo alcançado já na parte final e também Julian Alaphilippe ( Quick-Step Floors) que pontuou nas passagens pelo Montée de Peyragudes e no Col de Val Louron Azet e vai chegar de bolinhas vermelhas aos Campos Elísios no próximo domingo.

Foram todos apanhados por Nairo Quintana que fez aquilo que já não fazia há bastante tempo. Um ataque vitorioso. Quintana não ganhava no Tour desde 2013! Esta vitória minimiza um Tour no limiar do “Mau “por parte dos espanhois da Movistar Team. Ganhar a classificação por equipa sabe a pouco para uma equipa recheada de nomes importante e valiosos no ciclismo atual.  

Esta subida ao Col de Portet é terrível. Será por ventura uma das mais difíceis subidas, a par talvez do Mont Ventoux , percorridas no Tour de France. Vai aparecer mais vezes. Daqui a anos podemos dizer que foi no Col de Portet que vimos Chris Froome ficar para trás com a necessidade de ser ajudado pelo elemento mais novo da sua equipa: Egan Bernal. Foi também aqui, no Col de Portet que Froome desperdiçou, aparentemente, a primeira oportunidade de se juntar ao clube das 4 lendas do ciclismo e ganhar 5 Tour´s de France. Se assim for, Froome “perde “bem! A estrada decidiu em vez de Portal. Geraint Thomas está numa superforma, é de longe o ciclista mais forte desta edição 105 da Grande Boucle. O Col de Portet estendeu-lhe a passadeira amarela para subir ao pódio em Paris. Ele que nunca tinha terminado num top 10 de uma grande prova.
 
Geraint Thomas terminou em 3º a etapa 17
 
Nota: Peter Sagan caiu na descida do Col de Val Louron Azet, ele que imagine-se, fez a subida com o grupo dos favoritos numa altura em que Pierre Latour (Ag2R) imprimia um ritmo elevado. Terminou a etapa. Aparentemente vai continuar…Uff !

Etapa 17 – Top 10

1. Nairo Quintana (Col) Movistar, in 2h21m27s
2. Daniel Martin (Irl) UAE Team Emirates, at 28 secs
3. Geraint Thomas (GBr) Team Sky, at 47 secs
4. Primoz Roglic (Slo) LottoNL-Jumbo, at 52 secs
5. Tom Dumoulin (Ned) Team Sunweb, at same time
6. Steven Kruijswijk (Ned) LottoNL-Jumbo, at 1-05
7. Egan Bernal (Col) Team Sky, at 1-33
8. Chris Froome (GBr) Team Sky, at 1-35
9. Mikel Landa (Esp) Movistar, at same time
10. Ilnur Zakarin (Rus) Katusha-Alpecin, at 2-01

Geral Individual:

1. Geraint Thomas (GBr) Team Sky, in 70h34m11s
2. Tom Dumoulin (Ned) Team Sunweb, at 1-59
3. Chris Froome (GBr) Team Sky, at 2-31
4. Primoz Roglic (Slo) LottoNL-Jumbo, at 2-47
5. Nairo Quintana (Col) Movistar, at 3-30
6. Steven Kruijswijk (Ned) LottoNL-Jumbo, at 4-19
7. Mikel Landa (Esp) Movistar, at 4-34
8. Romain Bardet (Fra) Ag2r La Mondiale, at 5-13
9. Daniel Martin (Irl) UAE Team Emirates, at 6-33
10. Jakob Fuglsang (Den) Astana , at 9-31

 
#TDF2018 #TDF18 #TDF
 

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Col de Peyresourde : o tapete de musgo !



Col de Peyresourde
 
O Col de Peyresourde com os seus 1569m de altitude fica situado nos Altos Pirenéus em França. Faz parte das “3 grandes” e míticas subidas dos Pirenéus em conjunto com o Aubisque e Tourmalet. São as mais altas, mais duras, mais imponentes e mais frequentes subidas pirenaicas. O Peyresourde já foi ultrapassado 68 vezes no Tour de France.

Entrou para a história na primeira vez que a prova francesa visitou a região central da cordilheira pirenaica. Foi em 1910. A etapa ligava Luchon a Baiona com 326km e o primeiro aperitivo montanhoso foi o Peyresourde. O seu primeiro grande trepador o francês Otcave Lapize. Fica para a história como a primeira grande montanha a ser ultrapassada na Grande Boucle. Nessa etapa seguiram-se o Aspin , o Tourmalet, e o Aubisque. A meio da etapa ficou célebre a frase de  Octave Lapize para o principal organizador da prova,  Henri Desgrange: “ voçes são assassinos “ . Reza a história que Desgrange , com medo de retaliações dos ciclistas, foge de carro para Paris antes do fim da etapa. O resto da prova foi realizada sem a presença do seu grande organizador. Para os media, era certo, nunca mais a montanha dos Pirenéus regressaria á prova. Nada mais errado.
Octave Lapize, Tour 1910
Em 1937 o Col de Peyresourde é palco de uma das histórias mais caricatas para a época. Nesta altura os jogos de bastidores eram quase tão importantes como a corrida. O francês Roger Lápebie antes da etapa que começava com a subida do Peyresourde, saiu pela manhã com os seus companheiros de seleção para um pequeno treino de aquecimento. Ao descer o Col despistou-se e caiu numa encosta. Ninguém conseguia explicar o sucedido até que uma observação mais atenta da sua bicicleta indicia uma sabotagem. Alguém tinha diminuído a força dos seus travões. Culpados: os belgas, acusados pelos franceses. O que é certo é que nunca se confirmou a culpa da sabotagem, mas o efeito em Roger Lápebie foi precisamente o contrário. O francês ganha forças com o episódio e conquista a camisola amarela nas etapas finais conseguindo o triunfo no Tour de 1937.

Jean Marie Leblanc, antigo ciclista e diretor do Tour considera o Col de Peyresourde como a mais bela das subidas da prova. É o “tapete de musgo “.  O verde é a cor dominante e o contacto com animais é uma constante durante toda a subida. Depois das últimas 5 curvas em gancho a vista é deslumbrante. Da esplanada natural é possível ver o Valle de Louron, os Pirinéus Ocidentais e o Col du Tourmalet.
Actualmente o Col de Peyresourde é uma das “Meca” dos cicloturistas e de todos os apaixonados pelas estradas de montanha.  Existem 2 vertentes: desde Bagnéres de Luchon e desde Avajan.


 




Desde Bagnéres de Luchon:

Altitude : 1569m

Distancia: 13,2km
Desnivel: 939m
Média: 7%
Máxima: 11,7%
 
 

E voçes ?
Quem já conquistou o Col de Peyresourde ?
 
Boas pedaladas
AT