segunda-feira, 2 de julho de 2018

A UCI e a WADA decidiram: Froome é inocente !


 
A UCI e a WADA – Agência Mundial Anti-dopagem ilibaram Chris Froome do caso de Salbutamol. O caso foi arquivado. Assim já não há argumentos para a ASO impedir a participação do tetra campeão britânico no Tour de France.

Ver o comunicado aqui

Froome acusou o dobro do permitido para uma substância utilizada para tratar a asma, mas aparentemente tudo se deve a fatores biológicos.

Na altura da notícia fizemos as seguintes contas:


1 - cada pulverização de um qualquer inalador tem mais ou menos 100 microgramas de salbutamol ( está na bula )
2 - a WADA permite uma ingestão máxima de 1600 microgramas do fármaco ...
3 - é considerado doping apartir de 1000 nanogramas/ ml na urina
4- com uma margem de erro que será sempre para mais podemos dizer que 1600micrograms = 1000 nanogramas/ml
5 - froome acusa 2000 nanogramas / ml , fazendo uma regra 3 simples Froome ingeriu 3200 microgramas . Vamos admitir que isto foi em 24 horas.

Ora voltando ao ponto 1 temos que Froome inalou mais coisa menos coisa 3200/100=32.
32 bombadas!!!!

Casos semelhantes não tiveram o mesmo desfecho: Diego Ulissi e Alexandro Petacchi. Ambos apresentaram as provas e foram considerados culpados. Curiosamente com quantidades até inferiores, quando comparadas com as encontradas em Froome.

Os 4 milhões de euros foram bem gastos pelo britânico em advogados, médicos e especialistas. O caso deve agora abrir jurisprudência em relação ao salbutamol.  

A justificação dada pelo UCI e WADA não chega. Froome acusou o DOBRO! Justificou com uma crise de asma e um problema renal. Explicações científicas e médicas são exigidas a bem da modalidade e também da integridade física do ciclista no Tour que começa já no sábado.

Quem tinha razão era a sua esposa!  Michelle Froome disso ontem que o marido nada fez de mal e que estará presente no Tour de France. Já todos sabiam desta decisão! Os últimos a saber são os agentes mais importantes: os adeptos!

 
#tdf2018 #tdf  #tdf18  #teamsky #chrisfroome #froome

 

 

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Abdel Kader Zaaf: se pedalares não bebas!


Abdel Kader Zaaf : Tour 1950
A frase que todos conhecemos não é bem esta. É parecida! Mas o princípio, os efeitos e algumas das consequências são as mesmas se conduzirmos embriagados.
Mas o que é que isto tem haver com as bicicletas, o mundo do ciclismo e o Tour de France? É simples. Uma das histórias mais incríveis e caricatas do mundo velocipédico está relacionada com calor, sede e álcool em proporções maiores que as desejáveis.
Na década de 50, época de ouro do ciclismo, todas as grandes nações tinham um punhado de grandes ciclistas numa autêntica constelações de estrelas. De Itália vinham o “Il Pio” Bartali , o “campionissimo” Coppi e o guerreiro Magni. De terras gaulesas o pequeno Robic, aquele que colocava chumbo nos bolsos para descer mais rápido, Bobet e o imparável Anquetil. De Espanha Bahamontes, da Suiça Koblet e da Bélgica Ockers e Impanis. Uma seleção de luxo no pelotão internacional. Mas havia um nome muito popular entre os adeptos e aficionados pelo ciclismo, sobretudo em França. Vinha de uma parte do globo até então “exótica “para a modalidade e pouco dada a pedaladas. O seu nome era Abdel Kader Zaaf, no ciclismo apenas Zaaf .
Zaaf nasceu em 1917 em Chitouane, na Argélia, tendo emigrado para França mais tarde. Era um ciclista modesto. Tinha no seu palmarés um punhado de vitórias na volta a Marrocos e na volta do seu país natal. Em França apenas conseguiu triunfar em provas secundárias e de menor prestígio, mas a admiração do público era enorme e as suas extravagâncias a par da sua devoção muçulmana uma imagem de marca.
Zaaf, tal como todos os outros ciclistas de segundo plano, tinha um sonho. Um sonho difícil de alcançar, mas que o argelino sempre lutou para o conseguir concretizar. Zaaf queria ganhar uma etapa no Tour de França. Esteve muito perto no Tour de 1950.
A etapa ligava Perpignham a Nîmes num total de mais de 250km. O calor era intenso, os principais ciclistas estavam num frenesim fora do normal, mas Zaaf mantinha-se calmo. Afinal toda esta temperatura não era estranha para um africano. O argelino rezou, como era habitual antes da partida e pensou que era hoje o seu grande dia.
"Inshallah”, pensou ele!
A etapa corria normalmente, até que a 100km de Nîmes, Zaaf decidiu atacar. Ninguém seguiu na sua roda com exceção do francês Marcel Molinés que se colou a Zaaf como uma pulga. Isso não o preocupava, mas tarde ou mais cedo o francês descolava, afinal o calor era cada vez mais e o africano era Zaaf. Os quilómetros passavam, a vantagem para o pelotão aumentava e os dois bebiam muito. Tal como uma etapa de montanha os espectadores ofereciam muita bebida aos ciclistas, regavam-nos com mangueiras e passavam-lhe esponjas por cima do corpo. Toda a ajuda era pouca pois o calor parecia derreter o alcatrão e Nîmes nunca mais aparecia no horizonte.
Já a menos de 20km do fim, Zaaf agarrou numa garrafa vinda da mão de um adepto. Bebeu três longos tragos, mas no último momento sente um sabor muito amargo. Ainda cuspiu, mas grande parte do vinho Corbiéres já tinha sido ingerida pelo argelino. E sendo muçulmano, Zaaf nunca tinha bebido álcool na vida. Estava agora em “maus lençóis” Aos poucos a sua visão ficou turva, fortes enjoos, começou a perder força nas pernas e a pedalar cada vez mais devagar. O francês Molinés já tinha escapado. A 10km de Nîmes, Zaaf perde o equilíbrio e cai no chão. O público depressa o levanta, mas o ciclista argelino começa a pedalar em sentido contrário para cair de novo uns metros à frente.
Zaaf estava bêbedo. Zaaf tinha uma bela “carraspana “!
 
Zaaf caiu embriagado !
 
 Tinha terminado o sonho de Abdel Kader Zaaf. O argelino já não seria o primeiro africano a ganhar uma etapa na prova mais importante do mundo.
Socorrido por populares é levado mais tarde para o hospital e não termina a etapa. Apesar de aconselhado pelos médicos a repousar durante uns dias ele não desiste.
No dia seguinte apresenta-se na partida.  É com uma chuva de aplausos e cumprimentos de todos os outros ciclistas e público que é recebido. Uma demonstração de reconhecimento e gratidão pela sua coragem e ousadia. Mas o regulamento do Tour era conhecido e o pior confirmou-se. Jacques Godet, diretor de prova, anunciou a desclassificação de Zaaf por não ter cumprido os últimos 10km da etapa anterior. E é de novo com uma forte salva de palmas que o argelino parte em direção a Nîmes para completar aquilo que uma garrafa de vinho não o deixou fazer.
Nada feito, Zaaf foi excluído do Tour onde esteve perto de conseguir a proeza de ser o primeiro africano a triunfar na “Grande Boucle”.
 
Zaaf começou a fazer publicidade ao vinho

 

Se pedalares não bebas! Que o diga o argelino Zaaf e a sua valente “carraspana”!
 
 

Estas e outras crónicas em:   www.aguadeirotrepador.blogspot.com
 

terça-feira, 26 de junho de 2018

26/06/2017 - Parabéns ao Aguadeiro Trepador Blog !




 Andamos por aqui há precisamente 1 ano.
Nestes primeiros 365 dias de vida tivemos 112 111 visualizações o que ultrapassa de longe as nossas expectativas. Foram 52 publicações onde contamos estórias, fizemos antevisões e alguns “guias” de provas. Também opinámos quando foi necessário. Estivemos na Volta ao Algarve e Alentejo como órgão de comunicação e estabelecemos algumas parcerias com outras publicações. Tentamos “ver e escrever” o ciclismo de forma diferente.
Nem todos gostaram do que escrevemos. Não faz mal. Aqui no Aguadeiro Trepador somos livres de pensamento. O Aguadeiro Trepador escreverá daquilo que quiser, como quiser e onde quiser! Escreve-se o que se pensa. Pensar é grátis!
Afinal o objetivo do projeto é mesmo esse!

Parabéns ao Aguadeiro Trepador Blog!

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