sexta-feira, 25 de maio de 2018

La Cima Coppi - Colle delle Finestre

Colle delle Finestre

 
Todos sabem o que é a “Cima Coppi”, alguns sabem porque surgiu, mas poucos conhecem o episódio irónico que ocorreu na sua primeira aparição. Vai uma aposta?


“Cima Coppi” é o prémio atribuído no Giro de Itália ao ciclista que passar em primeiro na montanha mais alta em competição.  Em 2017 o vencedor foi o espanhol Mikel Landa. Outros nomes bem importantes já levaram o troféu para casa: Merckx, Fuente, Fignon, Chiappucci, Indurain, Pantani, Nibali e também Scarponi. Hoje vamos conhecer o vencedor da edição de 2018.
Colle delle Finestre : 9km de sterrato
 
Colle delle Finestre
Na edição 101ª do Giro de Itália o prémio “Cima Coppi” é atribuído na etapa de hoje ao km 111 com a passagem no famoso Colle delle Finestre aos 2175m de altitude. Desde Meana di Susa até ao Colle delle Finestre são 45 curvas distribuídas em 18km de extensão a uma pendente média de 9% com a particularidade de que os últimos 9km são em terreno não asfaltado, o famoso “sterrato”.
 
O Colle delle Finestre está localizado na região Alpina de Piemonte e apenas foi percorrido no Giro de Itália por três ocasiões. Foi o bastante para o “monstro” que liga o valle di Susa com o valle Chisone se tornar numa das subidas mais famosas do país em forma de bota. Algumas subidas demoram anos a adquirir a categoria de míticas. A maioria não consegue, mas para o Colle delle Finestre bastaram os 60 minutos durante o Giro de 2005 para entrar nesse restrito lote de ascensões que permaneceram para sempre em livros, imagens ou vídeos. Mas sobretudo irão permanecer na cabeça e coração dos adeptos de ciclismo.  
 
O Colle delle Finestre foi descoberto para o ciclismo por Carmine Castellano, diretor da prova. Estávamos numa tarde de domingo em 1995. Ao ver uma placa indicando o nome “Colle delle Finestre”, Castellano pediu ao seu motorista para fazer um “pequeno” desvio improvisado. Depois de percorrer os primeiros 11km foram surpreendidos pois a estrada perdia-se por um pequeno trilho de lama e muitas pedras. Como disse Castellano anos mais tarde: “um caminho de cabras intransitável com destino às janelas do paraíso”.  O Italiano viu no Colle delle Finestre uma tentação que em 1995 ainda era proibida.

Foram precisos 10 anos e uns Jogos Olímpicos de Inverno. Turim organizou a competição no ano de 2006 e o presidente de Piemonte queria colocar a sua região na boca do mundo desportivo meses antes do evento. A solução proposta por Carmine Castellano foi dar visibilidade ao Colle delle Finestre e torná-lo a grande atração e novidade no Giro de 2005. O presidente Enzo Ghigi concordou, restaurou os últimos 9km de ascensão, mas a pedido de Castellano manteve o piso não asfaltado dos últimos nove quilómetros. Castellano realizou então o sonho que teve em 1995, e no último ano como diretor do Giro de Itália os 18km do “seu “Colle delle Finestre fizeram parte do percurso da prova entrando para a história da competição, mas também para a historia das subidas míticas do ciclismo.

A aposta foi ganha e no dia 28 de maio de 2005 uma multidão de tifosis preencheram por completo as 45 curvas da subida. O italiano Danilo di Luca foi primeiro ciclista a chegar ao seu cimo.

Claudio Gregori do jornal La Gazzetta descreve o cenário da seguinte forma:
“o Colle delle Finestre é a fronteira entre o céu e o inferno. É como se fosse um intestino cheio de curvas com percentagens alcoólicas repleto de aztecas que guardam a sua montanha querida”

A partir deste dia o Collle delle Finestre ficou para sempre conhecido como a “a Montanha dos Índios” e será hoje percorrido pela quarta vez no Giro de Itália onde o primeiro ciclista a passar irá ganhar o prémio “Cima Coppi”
Giro 2015 - Alberto Contador : Colle delle Finestre

 

La Cima Coppi
Mas falaremos agora da “Cima Coppi”
O prémio serve como homenagem ao maior ciclista italiano de todos os tempos: Fausto Coppi.
Tudo começou em 1965.
Nessa edição do Giro de Itália o ponto mais alto era o Stelvio. Uma ascensão que sobe até aos 2758m, com pendente média de 7% e 22km de extensão desde a cidade de Bormio.
Curiosamente foi neste mesmo lugar que Coppi realizou uma das suas melhores exibições, conquistando o seu 5º Giro de Itália.
A corrida não lhe corria de feição e à entrada para a penúltima etapa Coppi tinha 2 minutos de atraso para o suíço Hugo Koblet. O italiano tinha mesmo felicitado o suíço pelo triunfo na prova, anunciando que apenas lutaria pela vitória da etapa pois a sua namorada , a famosa e controversa Giulia Occhini “ dama branca “ estaria presente para o apoiar.
Ninguém sabe se foi do seu lado amoroso e apaixonado se foram das suas capacidades físicas inigualáveis, mas Coppi atacou no inicio da difícil subida, ganhou a etapa, a camisola rosa e o seu 5º Giro de Itália.
Mas voltando ao ano de 1965 e à 1º edição do prémio “Cima Coppi “. A etapa era a 20ª e terminava no cume dos 2758m do Stelvio. Há dias que nevava abundantemente e a estrada ficou completamente bloqueada de tal forma que todos os ciclistas foram obrigados a desmontar. O primeiro a cortar a linha de meta e consequentemente a vencer o prémio foi Graziano Battistini.


Graziano Battistini - Passo del Stelvio: 1965
Ironia das ironias, ganhou a “Cima Coppi” subindo a montanha…. a pé!!! Il Campionissimo Fausto Coppi não terá ficado nada contente………
Boas Pedaladas!  

Texto publicado também em: https://fairplay.pt/modalidades/ciclismo/la-cima-coppi-colle-delle-finestre/
 



 

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Pela 1ª vez no Giro, Yates é humano !


 
A fuga chegou a ter 16 minutos de avanço para o pelotão e foi de forma natural que saiu de lá o vencedor da etapa 18. Maximilian Schachmann  (Quick-Step Floors) deu a quinta vitória à formação belga. Schachamann foi o mais forte nos 500 metros finais e nem Rubén Plaza (Israel Cycling Academy) nem Mattia Cattaneo  (Androni - Sidermec – Bottecchia) tiveram força para seguir o jovem alemão e permitindo-lhe conquistar a sua segunda grande vitória numa prova World Tour .
O pelotão, ou o que restou dele, chegou mais de 10 minutos depois e o destaque vai naturalmente para a primeira vez que Simon Yates ( Mitchelton-Scott) quebrou monstrando que também é humano ! Numa primeira tentativa Yates responde a Tom Dumoulin(Team Sunweb)  , mas depois do ataque de Chris Froome (Team Sky) o britânico não consegue acompanhar os homens da frente. Tom Dumoulin, Domenico Pozzovivo (Bahrain Merida) e Froome ganharam 28s a Simon Yates que agora segura a maglia rosa apenas por 28s.
 
No primeiro dos três dias que decidirão o Giro de Itália de 2018, Yates perde para os seus rivais, mas mostra tranquilidade para as etapas de amanhã e sábado: “as duas etapas seguintes são mais para as minhas caraterísticas”. Por um lado, tem razão. Mas se fraquejar como hoje as perdas serão maiores e pode deitar fora aquilo que alcançou até à etapa 18.
Pode acontecer? Pode? Vai acontecer? Pouco provável.
Continuamos a apostar em Simon Yates, mas já sabem, o Aguadeiro Trepador é muito mau a fazer previsões.
José Gonçalves terminou a etapa em 31º e subiu a 18º da geral individual.
Classificação da etapa aqui
Classificação geral aqui
#giro101 #giro #giroditalia #giro2018 

terça-feira, 22 de maio de 2018

Yates tem uma mão e meia no troféu final.


 
Depois do dia de hoje vamos partir de dois pressupostos:

1-    Yates mantem a bitola nas últimas três etapas com final em alto

2-    Yates tem quebra e tem um dia mau

Se Yates mantiver o nível destas 2 semanas e meia, não há, à partida, ninguém que lhe seja superior. E mesmo que seja não será suficiente para fazer grandes diferenças (Froome vs Yates no Zoncolan ). Quando falamos em alguém: estamos a falar de Tom Dumoulin. Se porventura for superior a Yates não será o suficiente para conquistar os 56s que os separam. Entramos então no pressuposto dois. Yates tem uma quebra e Dumoulin está a um nível superior. Muito superior. Pode acontecer? Pode? Vai acontecer? Pouco provável.

Simon Yates tem tudo para ganhar o Giro! Tem as duas mãos no trofeu e só lhe falta fechar o fecho da maglia rosa para se tornar o primeiro britânico a ganhar a prova italiana.
 
 
Contrarelogio de hoje ganho por Rohan Dennis , segundo para Tony Martin e Tom Dumoulin fecha o pódio.

Classificação da etapa: aqui

Classificação geral individual: aqui