sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Cyclocross 2018/2019



Encostem as rodas finas e o alcatrão por uns meses e concentrem-se naquelas bicicletas que parecem de estrada mas tem os pneus mais "grossos". Em Portugal também se compete mas é no centro da Europa que entramos numa das épocas do ano mais desejadas. Vem aí mais uma temporada de Cyclocross! Nunca a luta entre um belga e um holandês prometeu tanto. Advinham-se duelos titânicos. Já lá vamos. Agora um pouco de história.
 
Lama, muita lama...uma das caraterística das corridas de cyclocross
 
Quando falamos em competição velocípédica em meses de Inverno o primeiro nome que nos ocorre é Cyclocross. Até podemos não saber muito bem o que é, mas nos nossos mais primários conhecimentos sabemos que é esta a principal vertente do ciclismo quando o vento sopra mais forte, a chuva cai mais intensamente e as estradas estão cobertas de neve ou de lama.

 A temporada 2018/2019 do Cyclocross começa no próximo domingo, mas vamos recuar mais de 100 anos para perceber como é que tudo isto começou.


A História:

 Há quem jure a pés juntos que o cyclocross é mais antigo que o ciclismo de estrada. Já sabemos como diz o ditado popular “quem mais jura mais mente, “mas há uma forte probabilidade desta teoria ter alguma coisa de verdade.

Então é assim: no inicio do século XX a maioria das estradas ainda estavam por pavimentar, eram de terra batida sujeitas ás condições climatéricas. Tinham muitos buracos, tinham muitos obstáculos e no inverno tinham sobretudo muita lama e por vezes muita neve. E foi nessa altura que começaram a surgir as primeiras corridas de bicicleta. A competição consistia em ir de uma localidade a outra sem percurso definido. Cada ciclista escolhia aquele trajeto que lhe parecia mais favorável de modo a chegar em primeiro lugar ao lugar definido como meta. Por vezes era preciso sair das estradas, entrar em campos cultivados, saltar cercas, passar por rios, transpor pequenos muros ou até subir alguns degraus. Valia tudo e todos os percursos eram aceites. O importante era chegar ao destino. E foi assim que surgiu o Cyclocross.
 
Valentin Toundeur - 1930 Paris

A primeira competição oficial foi o campeonato francês de cross (nome abreviado de cyclocross) realizado em 1902.  A modalidade começou a ganhar fama e alargou fronteiras, sobretudo para a Bélgica e Holanda, quando em 1910 o vencedor do Tour Octave Lapize atribui às competições de Cyclocross realizadas no inverno a sua boa preparação para vencer a Grande Boucle. A partir daí a importância e sobretudo o prestígio das competições de cyclocross nunca mais parou.

Muitos foram as estrelas do ciclismo de estrada que não abdicavam da temporada de cyclocross para manter a forma durante o interregno das competições nos meses de inverno. Jean Bobic , vencedor do Tour de France , foi campeão mundial de cyclocross. Os irmãos De Vlaeminck também praticaram a modalidade. Eric foi 7 vezes campeão do mundo e o seu irmão Roger, um dos 3 ciclistas com os cinco monumentos do ciclismo de estrada, também o foi por uma vez. Recentemente temos os casos de Lars Boom e de Zydenek Stybar que já foram campeões do mundo da modalidade sendo hoje dois dos nomes mais sonantes do pelotão internacional de estrada mas não abdicam de uma boa competição em circuito , cheia de obstáculos, com muitos paredes para subir e com uma quantidade razoável de lama , numa espécie de tratamento especial para a pele.
Eric de Vlaeminck, 7 vezes campeão do mundo

Mas houve outros que alcançaram o estrelado apenas competindo no cyclocross . Adri van der Poel , pai de Mathieu Van der Poel (figura maior do cyclocross nos dias de hoje) . Os belgas Mário De Clercq e Sven Nys também são nomes conhecidos de todos os adeptos .


 Apesar de originalmente ter começado em França, a Bélgica e a Holanda são os principais dominadores da competição e as mais importantes provas disputam-se sobretudo nestes 2 países.

Temporada 2018/2019

A temporada 2018/2019 que arranca no proximo domingo em Geraardsbergen com a primeira prova do Brico Cross deverá ser marcada pelo duelo entre as duas maiores figuras e estrelas do cyclocross atual: o belga de 24 anos e ciclista da Crelan-Charles Wout van Aert, atual campeão do mundo e o holandês Mathieu van der Poel , 23 anos e vencedor da taça do mundo na época passada,  do circuito Superprestige 2016/2017 entre outras competiçoes.  É ciclista da Corendon-Circus.
Aert ou van der Poel, quem levará a melhor em 2018/2019

Será certamente entre estes dois as principais discussões das provas e circuitos mais importantes. Van Aert e Van der Poel são estrelas do cyclocross mas também já o são noutras vertentes do ciclismo. Poel é campeão holandês de cyclocross, mtb e também de ciclismo de estrada. Impressionante. A somar a esta histórica e inédita tripla o holandês foi campeão europeu de cyclocross e vice campeão europeu de ciclismo de estrada. Mas não ficamos por aqui. Mathieu van der Poel é medalha de bronze nos mundiais de MTB.  Mas Wout van Aert não lhe fica atrás. O belga depois de conquistar o seu terceiro titulo mundial consecutivo de cyclocross virou-se para a temporada de clássicas no ciclismo de estrada. Para a estreia alcançou resultados importante. Foi terceiro na Strade Bianche, 9º no Tour de Flanders , 13º no Paris-Roubaix e 10º na Gent-Wevelgen. Aert acabou o ano competitivo a conquistar a Volta à Dinamarca e a medalha de bronze no campeonato europeu. Nada mau para quem começa a competir na elite do ciclismo mundial de estrada.
Wout van Aert, 3º na Strade Bianche
Nomes também a ter em conta serão certamente: Kevin Pauwels (BEL) antigo vencedor da taça do mundo, Laurens Sweeck (BEL), Van der Haar ( NED) , Toon Aerts (BEL) , Tom Meeusen (BEL), Corne Van Kessel (NED), Klaas Vantornout (BEL),  Michael Vanthourenhout (BEL) e o jovem inglês Tom Pidcock.

As provas

Podemos dizer que existem 7 grandes provas de cyclocross : 2 campeonatos: do mundo e da Europa e 5 taças e troféus com várias provas.
 

1- Campeonato do mundo de Cyclocross (link oficial): 03/02/2019 em Bogense:Dinamarca


 O campeonato do mundo de cyclocross realiza-se a 03/02/2019 em Bogense na Dinamarca . O atual campeão do mundo Wout van Aert tentará chegar ao seu quarto titulo Depois de igualar o checo Zydenek Stybar e os belgas Mario De Clercq e Erwin Vervecken, van Aert entra neste campeonato do mundo para se aproximar do recordista de titulos Eric de Vlaeminck. Ou será o regresso do prodígio holandês Mathieu van der Poel a vestir a camisola arco iris depois de ganhar em 2014 e depois de na última edição ter sido completamente "atropelado" por Wout van Aert ?

 
2- Campeonato da Europa de Cyclocross (linkoficial): 4/11/2017 em Rosmalen: Holanda

Num país onde o Cyclocross também tem muita tradição realiza-se em Rosmalen o campeonato da Europa. Mathieu van der Poel é o atual campeão europeu e o principal alvo a abater.

3- Taça do Mundo UCI (link oficial):23/9/2017 a 27/01/2018


É a principal competição organizada pela UCI com 9 provas entre o continente americano e a Europa. São atribuídos pontos pelas classificações nas nove provas e o vencedor é o que no final reunir o maior número de pontos. Este ano é disputada em 6 países.

O grande recordista de vitorias é o belga Sven Nys com seis títulos. Dos atletas inscritos este ano apenas 4 já levaram o trofeu: Kevin Pauwels (2) , o holandês Lars Van der Haar ( 1) , o atual campeão do mundo, o belga Wout van Aert (2) e também Mathieu van der Poel ( 1)

Mathieu van der Poel ganha a taça do mundo na época passada com relativa facilidade. Das 9 provas disputadas o holandês ganhou 7. Pontuando também nas restantes. Não é certo mas Poel deverá "tirar férias"depois de uma época onde não parou de pedalar e faltar às 2 provas americanas. Uma boa oportunidade para van Aert começar a taça do mundo com alguns pontos de vantagem.
 


Van der Poel, vencedor da taça do mundo 2017/2018
Calendário


- 23/09/2018 - Waterloo, USA (link) 
- 29/09/2018 - Jingle Cross Iowa City, USA (link)
- 21/10/2018-  Bern, SUIÇA (link) 
- 17/11/2018 - Tabor, REP. CHECA (link)
- 25/11/2018 - Koksijde, BÉLGICA (link)
- 23/12/2018 - Namur, BÉLGICA (link)
- 26/12/2018 - Heusden - Zolder, BÉLGICA (link)
- 20/01/2018 - Pont-Chateau,  FRANÇA (link)
- 28/01/2018 - Hoogerheide Province Noord-Brabant, HOLANDA (link)

Transmissão TV: todas as provas serão transmitidas no canal Youtube UCI (Link)

 

4 - Telenet Superprestige (link oficial) : 14/10/2018 a 16/02/2019 : NED e BEL

 
É a festa do povo para os lados da Bélgica. Faça chuva, faça vento, frio ou até se estiver a nevar não há razões para ficar em casa. É quase religioso. Os domingos são dias para calçar as galochas, vestir um casaco, meter um gorro pela cabeça e um cachecol no pescoço e segurar num bom copo de cerveja ao mesmo tempo que vê passar os heróis da lama. No troféu Superprestige ninguém é tão herói como o Sven Nys.
Superprestige - a festa do povo
É o recordista com 13 vitorias e um herói nacional. Se um dia perguntarem a um miúdo belga quem querem ser quando forem grandes ouvirão de certeza uma de duas respostas: Tom Boonen (estrada) ou Sven Nys (cross). Ambos já deixaram a modalidade, Nys abandonou em 2016 e é o atual responsável pela equipa Telenet Fidea Lions.
A época de 2017/2018 foi totalmente dominada por Mathieu Van der Poel. Venceu sete das oito provas disputadas. Wout van Aert terminou em 2º lugar e Lars van der Haar ocupou o ultimo lugar do pódio. Van der Poel com apenas 23 anos e três vitórias no Superprestige pode ser o principal sucessor de Sven Nys, isto se optar exclusivamente pelo cyclocross, situação que aparentemente parece pouco provável tais são os resultados que o holandês já apresenta no ciclismo de estrada em competições com alguma importância e também no MTB

Mathieu Van der Poel - 1º lugar Superprestige 17/18
 

Calendário:

- 14/10/2018 – Gieten, NED (link)
- 20/10/2018, Boom, BEL (link)
-28/10/2018 – Ruddervoorde, BEL (link)
-11/11/2018 – Gavere, BEL (link)
- 16/12/2018 - Zonhoven, NED (link)
-30/12/2018 – Diegem, BEL (link)
- 10/02/2018 – Hoogstraten, BEL ( llink)
- 16/02/2017 – Middelkerke, BEL (link)



Transmissão TV: normalmente : https://www.vrt.be/vrtnu/


5- DVV Verzekeringen Trofee (link oficial): 1/11/2018 a 09/2/2019, BEL
Troféu também com muito prestigio realizado totalmente na Bélgica composto por 8 provas. Aqui o que conta não são os pontos, mas sim o tempo. Quem terminar o trofeu (as 8 provas) com o menor tempo será o vencedor.

Mais uma vez Sven Nys é o grande dominador com 9 vitórias. Dominadores totais são os ciclistas belgas que sempre ganharam o DVV Verzekeringen Trofee.

Na época passada a vitoria foi do vice campeão europeu de estrada  Mathieu van der Poel, o segundo lugar de Tom Aerts e em terceiro Wout van Aert.

Koppenbergcross: e o mítico Koppenberg
No dia 1 novembro, como é tradição, é a mais carismática prova do troféu DVV e de todo o circuito internacional de cyclocross: o Koppenbergcross em Oudennarde. Toda a prova é ao redor do muro Koppenberg bem conhecido de todos devido á sua presença na Ronde van Vlaanderen. Na prova de cyclocross parte do percurso é no pavê dessa mítica subida. A não perder.

Calendário:
 
- 01/11/2018 – Koppenbergcross, Oudennarde, BEL (link)
- 10/11/2018 – Jaarmarktcross, Niel  BEL (link)
- 18/11/2018 – Flandriencross, Hamme,  BEL (link)
-15/12/2018 – Sheldecross, Antwerpen, BEL ( link)
- 28/12/2018 – Azencross, Loenhout, BEL (link)
- 01/01/2019 – GP Sven Nys, Baal, BEL (link)
- 09/02/2018 – Krawatencross, Lille, BEL ( link)

Transmissão TV: https://www.vrt.be/vrtnu/

 

6- Brico Cross  (link oficial): 16/09/2018 a 17/02/2019 , BEL

Abre a temporada 2018/2019 com o regresso de Geraardsbergen É a primeira oportunidade para ver o duelo entre Van Aert e Van der Poel . Foi  Mathieu Van der Poel que dominou a época passada com 4 triunfos nas seis provas realizadas.

Calendário:

- 16/09/2018 – Geraardsbergen, BEL , (Link) 
- 06/10/2018 – Berencross, Meulebeke, BEL (link)
- 07/10/2018 – GP Mario de Clercq , Ronse, BEL (link)
- 13/10/2018 – RapenCross, Lokeren, BEL (Link)
- 08/12/2018 – Essen, BEL (link)
- 29/12/2018 – Bredene, BEL (link)
- 06/02/2019 - Maldegem, BEL (link)
- 17/02/2019 - Hulst, BEL ( link)

Transmissão TV https://vtm.be/live

7 – Soudal Classics (link oficial): 27/10/2018 a 23/02/2019, BEL
Circuito de provas organizada pela marca Soudal, principal patrocinadora da equipa World Tour Lotto Soudal. É um trofeu de “segunda linha” que normalmente é aproveitado para outros ciclistas tentarem obter as vitórias da temporada.

Calendário:

- 27/10/2018 – GP Neerpelt , Neerpelt, BEL (link)
- 01/12/2018 – GP Hasselt, Hasselt, BEL (link)
- 22/12/2018 – Waaslaandcross, Sint-Niklaas, BEL (link)
- 20/02/2019 – Cyclocross Masters, Waregem, BEL (link)
- 23/02/2019 – Cyclocross Leuven, Leuven, BEL (link)

 Transmissão TV:  normalmente em https://vtm.be/live

As Equipas:

 Corendon-Circus ( BEL)

Dekker, Jens - Holanda - 19 anos
Meeusen, Tom - Bélgica - 29 anos
Meisen, Marcel - Alemanha - 29 anos
Turner, Ben - Grã-Bretanha - 19 anos
Van der Poel, David - Holanda - 26 anos
Van der Poel, Mathieu - Holanda - 23 anos

 
Crelan - Charles (BEL)

Godrie, Stan - Holanda - 25 anos
Merlier, Tim - Bélgica - 25 anos
Van Aert, Wout - Bélgica - 23 anos
 
Marlux - Bingoal(BEL)

De Clercq, Angelo - Bélgica - 26 anos
Debeir, Arno - Bélgica - 19 anos
Iserbyt, Eli - Bélgica - 20 anos
Joseph, Thomas - Bélgica - 21 anos
Pauwels, Kevin - Bélgica - 34 anos
Pauwels, Tijl - Bélgica - 20 anos
Vanthourenhout, Dieter - Bélgica - 33 anos
Vanthourenhout, Michael - Bélgica - 24 anos
 
Pauwels Sauzen - Vastgoedservice (BEL)
 
 Adams, Jens - Bélgica - 26 anos
Bellens, Jarno - Bélgica - 18 anos
Camps, Jelle - Bélgica - 19 anos
Kopecky, Tomas - República Checa - 18 anos
Peeters, Yannick - Bélgica - 21 anos
Soete, Daan - Bélgica - 23 anos
Sweeck, Diether - Bélgica - 24 anos
Sweeck, Laurens - Bélgica - 24 anos
Vandebosch, Toon - Bélgica - 19 anos
Vandebosch, Victor - Bélgica - 20 anos

 
Steylaerts- 777 (BEL)

Bosmans, Wietse - Bélgica - 26 anos
Kielich, Timo - Bélgica - 19 anos
Smets, Gert - Bélgica - 20 anos
Toupalík, Adam - República Checa - 22 anos
Vermeersch, Gianni - Bélgica - 25 anos
Vliegen, Pieter-Jan - Bélgica - 18 anos


Tarteletto - Isorex (BEL)

 Bonne, Jenko - Bélgica - 21 anos
De Smet, Thibaut - Bélgica - 19 anos
Derveaux, Niels - Bélgica - 21 anos
Kuypers, Gerben - Bélgica - 18 anos
Museeuw, Stefano - Bélgica - 21 anos
Uytdewilligen, Ingmar - Bélgica - 26 anos
Van Compernolle, Kenneth - Bélgica - 30 anos
Van de Kerckhove, Nick - Bélgica - 22 anos
Van den Eynde, Vince - Bélgica - 18 anos
Vrachten, Arne - Bélgica - 19 anos

 
Telenet Fidea Lions ( BEL)

Aernouts, Jim - Bélgica - 29 anos
Aerts, Thijs - Bélgica - 21 anos
Aerts, Toon - Bélgica - 24 anos
Bekaert, Yentl - Bélgica - 19 anos
Cleppe, Nicolas - Bélgica - 22 anos
Goeman, Andreas - Bélgica - 19 anos
Hermans, Quinten - Bélgica - 23 anos
Van der Haar, Lars - Holanda - 27 anos
Van Kessel, Corne - Holanda - 27 anos


TP Racing (USA)



Pidcock, Thomas - Grã-Bretanha - 19 anos
Tulett, Daniel - Grã-Bretanha - 19 anos

 
 Ao longo da temporada 2017/2018 o Aguadeiro Trepador irá fazer atualizações a este guia. Fiquem atentos!

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Boas Pedaladas !
AT 

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Etapa 19 - Lourdes › Laruns



 
Último dia de montanha e última oportunidade para, numa etapa em linha, mudar alguma coisa na geral individual.

A etapa tinha 200km e passava pelo Col du Tourmalet. Se alguém quisesse “testar “a sério a capacidade de Geraint Thomas (Team Sky) teria que ser obrigatoriamente neste colosso. E quando dizemos alguém, só dois nomes: Tom Dumoulin (Team Sunweb) e Primoz Roglic (Team Lotto-Jumbo) pela proximidade de tempo ao britânico. Christopher Froome, depois do tempo perdido na etapa 17 e das debilidades demonstradas estaria, aparentemente, mas interessado em defender o seu 3ª lugar do que atacar a liderança do seu colega de equipa. Froome perde a primeira oportunidade de ganhar o seu 5º Tour de France, mas não perde neste Tour o estatuto do ciclista mais próximo e provável de alcançar esse feito. Com 33 anos, o tetracampeão da Grande Boucle terá mais 2 ou 3 “xeque-mates” para alcançar Anquectil, Merckx, Hinault e Indurain. É certo que a vida de Froome por terras francesas nunca mais será a mesma por causa da sua asma, mas a incerteza na participação do britânico no Tour de France pode ter sido uma das principais causas das dificuldades demonstradas durante esta terceira semana. É que Froome ganha um Giro de Itália extremamente exigente podendo estar agora a pagar as consequências. E essas são agora, naturalmente, consequências físicas, porque as consequências mentais têm Froome e a Team Sky desde o momento que o britânico recebeu a notícia de um consumo excessivo de salbutamol.

Mas atacar no Col du Tourmalet , essa montanha mítica que foi ultrapassada pela 80ª vez e onde em 1957 por lá passou em primeiro lugar Ribeiro da Silva, tinha um grande senão. O Tourmalet estava a 100km da meta em Laruns e as epopeias vitoriosas de Coppi ou Bartali já não acontecem há muitos anos! Sim, calma, estamos só a falar do Tour de France. Não temos memória de peixe e não nos esquecemos do que se passou no mês de maio no colle delle Finestre. Não atacou Dumoulin, não atacou Roglic. Atacou a sério pela primeira vez dois homens: Mikel Landa ( Movistar Team ) e Romain Bardet ( Ag2R La Mondiale) . Ambos estavam sensivelmente a 5minutos da liderança de Geraint Thomas. A distância temporal cresceu e o basco da equipa espanhola chegou a estar na 2ª posição virtual a 60 segundas da liderança. Nunca a amarela de Geraint esteve “tão perto “de mudar de corpo. Só que a Team Lotto-Jumbo tornou-se a principal aliada da Team Sky e Robert Gesink fez um trabalho notável a encurtar as distâncias. Quando a etapa entrou na fase final com os últimos km da subida ao Col de Aubisque todos estavam juntos. Foi aí que Dumoulin e Roglic atacaram sem grande sucesso. Froome cedeu, mas tal como no Col de Portet foi Egan Bernal a rebocá-lo montanha acima. Bernal tem sido um gregário de luxo. Chega a ser “penoso” ver o jovem colombiano abdicar dos êxitos pessoais em detrimento do “seu “líder, porque para Bernal, Froome é o líder.

Habituado a grandes saltos, Primoz Roglic foi pulando aos poucos nos 20km da descida ao Aubisque e quando chegou a Laruns já levava 20s de vantagem para os adversários. O esloveno ganha a sua segunda etapa no Tour de France. Depois de vencer o ano passado também a descer em Serre Chevalier, etapa que percorreu o Col de la Croix de Fer, Col de Telegraphe e o Col du Galibier, vence outra vez numa jornada que ultrapassou lugares míticos, mas desta vez nos Pirenéus como é o caso do Col du Tourmalet e o Col de Aubisque.
Habituado a saltar , Roglic "saltou" para o 3º lugar
 
Á vantagem de 19s na meta acresce os 10s de bonificação e Roglic termina o dia como duplo vencedor. Além da vitória na etapa o ciclista da Team Lotto-Jumbo troca de posição com Chris Froome. Está no 3º lugar da geral individual a somente 19s do holandês Tom Dumoulin. O segundo posto deverá ser a grande luta no CRI de amanhã uma vez que Geraint Thomas alargou por 6s a sua vantagem para o homem da Team Sunweb.

O galês já tem uma roda e meia nos Campos Elísios e no domingo deverá desfilar de amarelo.
Geraint Thomas cada vez mais 1º
 

Etapa 19 – Top 10

1. Primoz Roglic (Slo) LottoNL-Jumbo, in 05:28:17
2. Geraint Thomas (GBr) Team Sky, at 19 secs
3. Romain Bardet (Fra) Ag2r La Mondiale
4. Daniel Martin (Irl) UAE Team Emirates
5. Rafal Majka (Pol) Bora-Hansgrohe
6. Tom Dumoulin (Ned) Team Sunweb
7. Mikel Landa (Esp) Movistar
8. Chris Froome (GBr) Team Sky, all at 19 secs
9. Steven Kruijswijk (Ned) LottoNL-Jumbo, at 31 secs
10. Ilnur Zakarin (Rus) Katusha-Alpecin, at same time

Geral Individual

1. Geraint Thomas (GBr) Team Sky, in 79h49m31s
2. Tom Dumoulin (Ned) Team Sunweb, at 2-05
3. Primoz Roglic (Slo) LottoNL-Jumbo, at 2-24
4. Chris Froome (GBr) Team Sky, at 2-37
5. Steven Kruijswijk (Ned) LottoNL-Jumbo, at 4-37
6. Mikel Landa (Esp) Movistar, at 4-40
7. Romain Bardet (Fra) Ag2r La Mondiale, at 5-515
8. Daniel Martin (Irl) UAE Team Emirates, at 6-39
9. Nairo Quintana (Col) Movistar Team, at 10-26
10. Ilnur Zakarin (Rus) Katusha-Alpecin, at 11-49

 
#TDF2018 #TDF18 #TDF

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Etapa 17 - Bagnères-de-Luchon › Saint-Lary-Soulan




Nairo Quintana vence a etapa 17
 
A etapa 17 deste Tour de France apareceu como a grande novidade da corrida. É certo que para isso muito contribuiu o mediatismo que a organização aplicou nos meios de comunicação social. A primeira grande novidade parecia ser a quilometragem. Há muito tempo que o Tour de France não tinha uma etapa de apenas 65km. Depois, a outra novidade foi o Col de Portet. Nunca uma competição de ciclismo de estrada tinha chegada aos seus 2200m de altitude. O Col de Portet é a continuação da subida à estação de ski de Pla d´Adet e nunca tinha sido feita porque os seus últimos 8km não eram asfaltados. A dúvida permaneceu quase até ao início da competição. Apenas no dia 8 de julho já com o Tour a decorrer ficamos com a certeza que o piso era de alcatrão e assim o Col de Portet não seria o Colle delle Finestre francês. Por fim a novidade da partida! Uma partida inovadora, segunda a ASO! E com razão os líderes das equipas pedalaram 50 metros sem os seus gregários por perto! (risos) Uma novidade, é certo! Mas também uma grande parvoíce.  Esta ideia de fazer de uma partida de ciclismo uma grelha de Moto GP ou Formula 1 ultrapassa os mínimos! É só patético. Se há coisas certas na vida, como por exemplo, o Wout Poels beber coca-cola e recuperar do atraso para ainda liderar o grupo dos favoritos por largos km, como se viu hoje na ascensão ao Col de Portet , também é certo que nunca mais vamos assistir a esta patetice da grelha. Se aquele sprint bonificado apenas para a geral na primeira semana de competição já tinha sido mau, esta de separar os primeiros classificados dos restantes ultrapassou tudo. Vá, também não podemos ser tão maus. Houve 3 crianças que acreditaram que Thomas e Froome não iam ter o apoio de Bernal, Kwia e Poels. Essas 3 crianças fizeram bem em acreditar, porque além destes 3 gregários de luxo, Poels teve o episódio do “descola…bebe coca-cola e cola para liderar o grupo “, Bernal deu show na subida final e fez de Froome versão 2012 a esperar por Wiggins , os dois lideres da Team Sky também tiveram o apoio da restante equipa: Castroviejo e Rowe. Ou seja, tudo normal! A partida não deu em rigorosamente nada! Como era obvio e todos sabiam disso!
Um prova de ciclismo com uma grelha de partida! Bravo ASO
 

Mas falemos do dia de competição. Não foi a melhor etapa desta edição do Tour. Esse lugar está reservado até agora à jornada que acabou em Alpe d’ Huez. Mas foi uma boa etapa. Apesar dos ataques mais importantes, sobretudo Nairo Quintana ( Movistar Team), Daniel Martin ( UAE Team Emirates) e dos homens da Team Lotto-Jumbo, Kruijswijk e Roglic terem acontecido apenas na montanha final, toda a etapa foi animada. Logo no inicio um grupo de escapados bastante numeroso com Valverde ( Movistar Team ) que ainda deu uma ajuda a Nairo Quintana ( até que enfim que lançar Valverde para a frente da corrida trouxe alguns benefícios à equipa de Unzué), Tanel Kangert ( Astana Team ) que liderou a corrida durante 59km sendo alcançado já na parte final e também Julian Alaphilippe ( Quick-Step Floors) que pontuou nas passagens pelo Montée de Peyragudes e no Col de Val Louron Azet e vai chegar de bolinhas vermelhas aos Campos Elísios no próximo domingo.

Foram todos apanhados por Nairo Quintana que fez aquilo que já não fazia há bastante tempo. Um ataque vitorioso. Quintana não ganhava no Tour desde 2013! Esta vitória minimiza um Tour no limiar do “Mau “por parte dos espanhois da Movistar Team. Ganhar a classificação por equipa sabe a pouco para uma equipa recheada de nomes importante e valiosos no ciclismo atual.  

Esta subida ao Col de Portet é terrível. Será por ventura uma das mais difíceis subidas, a par talvez do Mont Ventoux , percorridas no Tour de France. Vai aparecer mais vezes. Daqui a anos podemos dizer que foi no Col de Portet que vimos Chris Froome ficar para trás com a necessidade de ser ajudado pelo elemento mais novo da sua equipa: Egan Bernal. Foi também aqui, no Col de Portet que Froome desperdiçou, aparentemente, a primeira oportunidade de se juntar ao clube das 4 lendas do ciclismo e ganhar 5 Tour´s de France. Se assim for, Froome “perde “bem! A estrada decidiu em vez de Portal. Geraint Thomas está numa superforma, é de longe o ciclista mais forte desta edição 105 da Grande Boucle. O Col de Portet estendeu-lhe a passadeira amarela para subir ao pódio em Paris. Ele que nunca tinha terminado num top 10 de uma grande prova.
 
Geraint Thomas terminou em 3º a etapa 17
 
Nota: Peter Sagan caiu na descida do Col de Val Louron Azet, ele que imagine-se, fez a subida com o grupo dos favoritos numa altura em que Pierre Latour (Ag2R) imprimia um ritmo elevado. Terminou a etapa. Aparentemente vai continuar…Uff !

Etapa 17 – Top 10

1. Nairo Quintana (Col) Movistar, in 2h21m27s
2. Daniel Martin (Irl) UAE Team Emirates, at 28 secs
3. Geraint Thomas (GBr) Team Sky, at 47 secs
4. Primoz Roglic (Slo) LottoNL-Jumbo, at 52 secs
5. Tom Dumoulin (Ned) Team Sunweb, at same time
6. Steven Kruijswijk (Ned) LottoNL-Jumbo, at 1-05
7. Egan Bernal (Col) Team Sky, at 1-33
8. Chris Froome (GBr) Team Sky, at 1-35
9. Mikel Landa (Esp) Movistar, at same time
10. Ilnur Zakarin (Rus) Katusha-Alpecin, at 2-01

Geral Individual:

1. Geraint Thomas (GBr) Team Sky, in 70h34m11s
2. Tom Dumoulin (Ned) Team Sunweb, at 1-59
3. Chris Froome (GBr) Team Sky, at 2-31
4. Primoz Roglic (Slo) LottoNL-Jumbo, at 2-47
5. Nairo Quintana (Col) Movistar, at 3-30
6. Steven Kruijswijk (Ned) LottoNL-Jumbo, at 4-19
7. Mikel Landa (Esp) Movistar, at 4-34
8. Romain Bardet (Fra) Ag2r La Mondiale, at 5-13
9. Daniel Martin (Irl) UAE Team Emirates, at 6-33
10. Jakob Fuglsang (Den) Astana , at 9-31

 
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