sexta-feira, 1 de março de 2019

Omloop Het Nieuwsblad 2019: começam os pavês !

 
Para os mais distraídos ou para os menos experientes e novatos nesta época do ano onde os campos começam a florear, os dias ficam maiores e os pássaros andam numa cantoria e que se chama “Clássicas “( por engano alguns chamam-lhe Primavera ),  informamos que começa amanhã a 1ª clássica do ano - a Omloop Het Nieuwsblad (OHN)
A partir de agora a atenção do mundo do ciclismo a sério e de homens de barba rija dirige-se maioritariamente para a Bélgica, com algumas incursões na Itália.  Para a região da Flanders tudo começa amanhã e culminará no grande dia. Esse dia é o Tour Flandres que é como quem diz em flamengo: Ronde van Vlaanderen (RVV). Esse maldito dia onde cada “flemish “bebe a maior quantidade possível de cerveja produzida pelo vizinho ao mesmo tempo que vê passar os homens das bicicletas nas estradas empedradas construídas pelo bisavô depois da devastação da 1º guerra mundial. Esse dia de celebração acontecerá no próximo dia 7 de Abril e na altura certa falaremos dele.
Agora a OHN.
 

A OHN, prova realizada desde 1945 e umas das mais importantes do calendário ciclístico, apenas em 2017 entrou no principal calendário da UCI: o World Tour.
 
Quase todos os nomes importantes belgas já a ganharam: Merckx, Vlaeminck , Maertens, van Petegem, Museeuw, Planckaert, Gilbert e Avermat. Greg Avermat é o vencedor das duas últimas edições ganhas por belgas (2016 e 2917).  Quase todos ganharam a OHN. Quase. Falta um. Por sinal o belga com maior palmarés em provas importantes de 1 dia: Tom Boonen. Em 2018 foi o dinamarquês Michael Valgren a levar o troféu. Ele que também ficou com a vitória na Amstel Gold Race e um honroso 4º lugar na Ronde van Vlaanderen.
Há outra particularidade importante a registar em relação à OHN. Para os mais desatentos nós dizemos: a OHN é a única “grande” corrida de um 1 dia ganha por Sep Vanmarcke. Ele que é o ciclista mais azarado do mundo e anda SEP= Sempre Em Perseguição.
 
OHN2019 - Gent-Ninove 200km
A edição de 2019, tal como 2018, marca uma grande diferença em relação a anos anteriores: o percurso. O inicio em Gent mantem-se e a meta em Ninove também e isso significa dificuldade e provavelmente uma prova muito mais seletiva. Só nos últimos 40km de prova teremos: o Leberg, o Berendries , o Valkenberg , o TenBosse e principalmente teremos , e estes já em pavê, os bem conhecidos Muur e o Bosberg lembrando os finais da Ronde de outrora. Quando terminarem os 980m do Bosberg faltarão apenas 12km para o fim. O Bosberg parece querer ganhar o protagonismo de outros tempos. Aqui brilharam Boonen e também Edwig Van Hooydonck que aqui atacou para ganhar isolado a RVV de 1989 e 1991 adquirindo assim a alcunha de “ Eddy Bosberg”.

 

O Pelotão: os Belgas
Os belgas, como é natural, tem dominado a OHN e partem como os principais candidatos embora nos últimos anos tivemos vitórias de Stannard , que venceu contra 3 Quick Step , Luca Paolini , Flecha , Langveld e Hushovd e o ano passado Michael Valgren.
Greg Avermat (CCC Team) estará presente e será um dos principais candidatos. Se ganhar a edição de 2019 Avermat junta-se ao restrito lote de homens tricampeões na OHN: Van Petegem, Joseph Bruyère e Ernest Sterckx. A ausência de Peter Sagan facilitará a vida ao campeão olímpico.  
Tim Wellens ( Lotto Soudal)  está em super forma e se for preciso atacar de longe para ganhar vantagem Wellens não terá qualquer problema e todos sabemos como ele o faz. E faz muito bem . Tim Wellens ganhou o Trofeo de Tramutana e duas etapas na Ruta del Sol: Volta a Andaluzia.
Também o companheiro de equipa de Wellens, Tiesj Benoot, que apenas correu na Argentina terminando em 10º lugar a Volta a San Juan, aparece no lote de belgas candidatos à vitoria em Ninove. A qualidade de Benoot é inegável e poderá repetir na OHN o 3º lugar do pódio alcançado na edição de 2016 ou até ambicionar a lugares mais altos. Relembramos que Benoot venceu de forma memorável a Strade Bianche de 2018 pelo que se quiser repetir o sucesso do ano passado o belga deve apresentar-se em Gent já em boa forma. Tiesj Benoot e Tim Wellens dividem entre si o protagonismo dentro da equipa belga e são, em conjunto, a dupla mais difícil de bater nesta OHN.
Oliver Naesen da AG2R la Mondiale é também um homem a ter em conta. Tal como também é Jasper Stuyven da Trek Segrafredo que sofreu um valente trambolhão na etapa 1 da Volta ao Algarve. A condição física de Stuyven é neste momento uma incógnita.
Outro nome incontornável é Phillippe Gilbert ( Deceuninck- Quick Step). Bem sabemos que o valão tem os objetivos da temporada centrados para os lados de San Remo e para o velódromo de Roubaix. São os únicos dois Monumentos que não constam no seu palmarés. Mas Gilbert sabe o que é ganhar a OHN, já o fez por duas vezes, 2006 e 2008. A andar bem Gilbert é um dos favoritos.
Yves Lampaert (Deceuninck Quick Step) campeão belga, Dylan Teuns (Bahrain Mérida) e Julien Vermonte (Team Dimension Data) não são candidatos principais, mas não deixarão de aproveitar a oportunidade para vencer a primeira clássica do ano.
Um destaque especial para o super Wout van Aert (Team Jumbo-Visma). Para quem não sabe, van Aert vem do cyclocross . Disputa há anos o top da modalidade com o holandês Mathieu van der Poel. A época de cross de van Aert não correu muito bem. Perdeu o título mundial e não ganhou nenhum dos trofeus importantes da temporada de cyclocross. Pode não ser um mau prenúncio. Pelo contrário. Wout van Aert tem muita qualidade e aquilo que não conseguir “dar “ na temporada de cyclocross pode consegui-lo na sua primeira grande época de ciclismo de estrada e logo numa das principais equipas : a Team Jumbo-Visma. A aposta da equipa holandesa em van Aert é forte. Logo na primeira prova que participa é chefe de fila. Na OHN foi 32º o ano passado mas as exibições de Wout van Aert na Ronde van Vlaanderen ( 9º), Gent-Wevelgem (10º) , Paris-Roubaix (13º) e principalmente na Strade Bianche onde terminou no terceiro posto depois de uma corrida literalmente ao ataque deste os primeiros quilómetros, deixam água na boca e a perspetiva de que no futuro Wout van Aert poderá ser uma das principais referencias em provas muito duras de apenas 1 dia. Esperamos que sim. Wout van Aert bem merece.
Wout van Aert : Strade Bianche 2018
 
 
Pelotão: Os Outros
Além da armada belga há outros nomes a apontar. Zdenek Stybar , o checo da Deceuninck Quick-Step  mostrou no Algarve que a pré temporada foi levada a sério tal é a forma no inicio do ano. Ganhou a etapa final no difícil Alto do Malhão. Stybar sabe o que é fazer pódio em provas de muita dificuldade e onde pequenas, mas duras subidas, marquem o resultado final. Não será uma aposta B caso Gilbert falhe. Stybar parte como um dos lideres da formação belga.  
Mudou de equipa e foi uma das contrações mais faladas.  Nick Trepstra deixou a poderosa Quick Step e ingressou na “modesta” Direct Energie equipa Pro Continental. Na equipa francesa Trepstra não divide a liderança com ninguém. Em provas de 1 dia o holandês é líder incontestável e tem uma equipa inteira a trabalhar para si. Trepstra já ganhou muito: Paris-Roubaix (2014), Ronde van Vlaanderen (2018), E3 Herelbeke (2018) entre outras.  Não lhe agradará certamente esta mudança de percurso desde 2018. O holandês é bom rolador e deverá sentir dificuldades em ultrapassar com os da frente as duas últimas dificuldades do dia: Muur e Bosberg. A não ser que o primeiro seja o próprio Trepstra e aí o caso muda literalmente de figura. Mas para isso o holandês tem de sair do pelotão bem antes dos quilómetros decisivos. Tal como fez na edição de 2018 da Ronde van Vlaanderen.
O italianos Daniel Oss (Bora-hansgrohe) que na OHN não fará de escudeiro de Peter Sagan, o seu compatriota Davide Ballerini ( Astana Team) que se estreia no pelotão World Tour, o dinamarquês Mads Pedersen ( Trek Segafredo) que alcançou um espetacular 2º lugar na Ronde van Vlaanderen de 2018 e sobretudo o vencedor do ano passado Michael Valgren ( Team Dimension Data) podem dar “ chapelada “ aos homens nascidos na terra do Tintin. Valgren mudou-se para os sul africanos da Team Dimension Data e é a principal aposta para as clássicas da primavera. O dinamarquês foi um dos vencedores da época passada ao triunfar na OHN e depois na Amstel Gold Race e quer repetir o sucesso na sua nova equipa.
Valgren OHN 2018
Os quilómetros que já leva este ano e a super equipa que conta também com Julien Vermonte e Edvald Boasson Hagen aliados á qualidade inegável de Valgren fazem do dinamarquês um dos grandes favoritos para a corrida de amanha.
  
Para muitos a verdadeira época e todo o esplendor do ciclismo começa amanhã. Sabemos que isso não é totalmente verdade, até porque já temos ciclismo desde os primeiros dias de janeiro Mas uma coisa é certa ! Flanders + Helligen + prova de 1 dia = espetáculo e emoção. Por vezes os 200km de provas como aquela que se inicia em Gent e termina em Ninove valem muito mais que os 3000km das grandes provas de três semanas.
Que comecem os muros de empedrado, as provas atacadas logo desde o inicio e as fugas com sucesso!
Que comece o CICLISMO ROMÂNTICO !!!!!
 
Kappelmuur em Geraardsbergen
 
Startlist: aqui
O percurso: aqui
O livro oficial : aqui
Transmissão TVaqui
Hastag: #OHN19; #OHN2019
 AT , boas pedaladas!
 

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